Nunca fui um grande fã de Batman, mas acho que foi um pouco de preconceito. Quando criança, a ideia de um cara dando uma de machão, meio sanguinário e psicopata (eu não sabia que essa era a palavra que descrevia o que via nele) não fazia parte das qualidades inerentes aos heróis. Sempre gostei mais de gente certinha, forte e com um grande censo de justiça (o que não tem nada a ver com justiça com as próprias mãos). Sendo assim, caras como o superman ou Capitão Marvel que, apesar do nome, faz parte da DC (eu sei é confuso).
Meus primos, pelo contrário, sabiam quem era o cavaleiro das trevas: não um super-herói, apenas um herói que chutava a bunda de muitos super's.
Fato é que cresci e entendi o porque muitos gostavam desse cara e comecei a fazer muita pesquisa em cima dele e de outros caras da DC e, pasmem ou não, descobre-se a personalidade desses caras é muito variável. Batman já foi um cara certinho e amigável. Isso em seu início, quando ter uma roupa legal e um motivo razoável para vestir a cueca sobre as calças já fazia de um personagem super.
Com o tempo, os roteiristas aprenderam (e aí eu puxo o saco de Stan e seus personagens problemáticos da Marvel que trouxeram os demais para a realidade) que um super é mais rentável quando ele também tem dilemas internos, ou quando eles sangram.
Feito este resumo e passado os tempos tanto de amadurecimento dos heróis quanto de minhas pesquisas sobre quadrinhos, eis que descubro o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.
Na verdade, descobri o título e, já sabendo quem era o autor, fiquei entusiasmado para conhecer a história.
Ganhei a série completa (um investimento caro, devo dizer) de minha esposa, junto com uma época em que precisei pausar as tais pesquisas e acabei afundando o volume grosso de quadrinho dentro de um baú.
Anos mais tarde (dois ou três, mais ou menos), vejo o título do filme de Nolan "The Dark Knight Rises". Me perguntei se seria algo relacionado ao volume de Frank Miller (se fosse, estaria enormemente desapontado com o Frank).
Para tirar a dúvida eu li...
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| E aqui também fica outra sugestão de leitura, falando sobre a masculinidade de Bruce Wayne (para desfazer a imagem que tem junto ao Robin - risos). Clique Aqui |
Que fique registrado então que, hoje, sou fã deste cara que também deveria ir para o asilo de Arkham (esse é o nome do sanatório para o qual são levados todos os vilões de Gotham City - risos).
Mais que simples fã do homem morcego, grande admirador de Frank que mesclou o universo DC e nossa realidade e fez uma das melhores obras dos tempos atuais.
Não só o Cavaleiro das Trevas, um cara senil no livro, como também vários outros personagens (o próprio Hal Jordan), o arqueiro Verde, John, o marciano; vilões como o Coringa ressurgem e Superman (que toma o maior pau de sua vida de um colega da antiga Liga da Justiça)... todos fazem seu papel em transformar esta numa das melhores novelas para aqueles que curtem super heróis e ficção científica.
São várias linhas tênues que se entrelaçam (o grande intelecto de Bruce Wayne e a insanidade, o certo e o errado, a obediência e a cegueira) nesta teia que desenlaça em episódios surpreendentes e antes nunca pensados para o mundo dos quadrinhos.
Em suma, após terminar tal livro, me perguntei porque aquela obra não estaria na lista de livros obrigatórios para o vestibular.
Deixo aqui então minha sugestão aos leitores - amantes de Batman ou não, que sejam fanáticos pelo lanterna ou pelo super: todos estão lá e fazem parte deste enorme sucesso que é o verdadeiro Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
